Edição Electrónica Bimestral
Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010

Julho/Agosto - 2010 - Nº 119
Ficha Técnica
 
 

Director:
Dr. José Quadros
Coordenador-Geral: Dr. José Quadros
 
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EDITORIAL
 
“LISBOA A CAPITAL DO VAZIO”

 

Um dos temas que tratamos neste número, e que designámos por Comércio Étnico, é uma realidade indesmentível de todos os bairros da nossa cidade. Muito se fala sobre este tipo de comércio, normalmente de forma depreciativa e acusatória, sobretudo no que respeita ao cumprimento de todas as leis e regulamentos que são impostos ao nosso sector. Porque temos já entre os nossos associados muitos destes empresários, pareceu-nos importante tentar compreender a verdadeira dimensão desta realidade, bem como separar o trigo do joio e perceber o que realmente se passa. Infelizmente, e apesar das diversas tentativas, não conseguimos obter qualquer depoimento da ASAE, do Ministério da Economia ou da Câmara Municipal de Lisboa, e o INE não dispõe de dados sobre este tema, o que acaba por ilustrar a “delicadeza” do mesmo.

Uma coisa é certa, o número de lojas deste tipo, nomeadamente no centro histórico da cidade, é cada vez maior, pondo em causa, do nosso ponto de vista, o posicionamento de algumas destas zonas e o futuro do seu mix comercial.

E isto leva-nos a outro dos temas deste número e ao artigo do Dr. João Barreta, que é a falta de conhecimento técnico que os responsáveis políticos têm do sector, o que resulta na ausência de uma visão estratégica para o mesmo, bem como às consequentes medidas avulsas, e à situação que hoje vivemos, nomeadamente na capital.

Entre estas medidas, está, é claro, o novo decreto-lei sobre os horários comerciais e o facto de, pela primeira vez na sua história (!), a CCP não ter sido ouvida sobre um texto legislativo que regula o sector do comércio.
Só não é certo é que a medida seja avulsa. No momento de crise que se vive, com as vendas o retalho a não crescerem, tal decisão significa, na prática, desviá-las de um lado… para outro.

Mas os erros não são exclusivos da administração central. Localmente eles parecem não ter fim, com os factos a falar por si: edificado em ruínas e bairros sem moradores (Lisboa perdeu 300.000 habitantes nos últimos 30 anos) e sem comércio. Razão tem o diário espanhol El País que, no passado dia 1 de Agosto, publicava um artigo intitulado “Lisboa, la capital del vacío”.

Voltaremos aos erros e aos seus autores na rentrée.

Agora é tempo de Boas Férias.

A Direcção